Parte I – TIREOIDE

Decidi começar pela TIREOIDE as séries que pretendo apresentar sobre doenças específicas abordadas na prática clínica, pois estatísticas mostram que, aproximadamente, metade dos portadores de hipotireoidismo no Brasil não recebem tratamento adequado.

Além disso, quando comecei a atender em consultório, pensei que atenderia muitos diabéticos; mas, para minha surpresa, tenho mais pacientes com alterações da tireoide. Alguns chegaram com anos de tratamento, apresentando os mesmos sintomas do início da doença.

É importante que saibam, inicialmente, que todos nós temos tireoide, salvo se tiver retirado cirurgicamente.

O que alguns apresentam, e que será tema desta série são tireoideopatias, ou distúrbios da tireoide.

Tireoide – visão geral

 A tireoide é uma glândula com formato de borboleta (com dois lobos), localizada na parte anterior pescoço, bem abaixo da região conhecida como Pomo de Adão (o popular, gogó). Corresponde a uma das maiores glândulas do corpo humano, com peso de 15 a 25 gramas (no adulto).

Atua na função de órgãos importantes como o coração, cérebro, fígado e rins. Interfere, também, no crescimento e desenvolvimento das crianças e adolescentes; na regulação dos ciclos menstruais; na fertilidade; no peso; na memória; na concentração; no humor; e no controle emocional.

A tireoide precisa estar em perfeito funcionamento para garantir o equilíbrio e a harmonia do organismo.

 

É responsável pela produção dos hormônios T3 (Triodotironina) e T4 (Tiroxina), que atuam em todos os sistemas do nosso organismo.

O funcionamento inadequado da tireoide pode liberar hormônios em excesso (Hipertiroidismo) ou em quantidade insuficiente (Hipotireoidismo). 

Hipotireoidismo

Se a produção de “energia” é insuficiente surge o hipotireoidismo. Tudo começa a funcionar mais lentamente no corpo: o coração bate mais devagar, o intestino prende e o crescimento pode ficar comprometido. Ocorrem, também, diminuição da capacidade de memória; cansaço excessivo; dores musculares e articulares; sonolência; pele seca; ganho de peso; aumento nos níveis de colesterol no sangue; e até depressão. Na verdade, o organismo nesta situação tenta “parar o indivíduo”, já que não há “combustível” para ser usado. 

Hipertireoidismo

Se há produção de “energia” em excesso acontece o contrário, o hipertiroidismo. Nesse caso, tudo no nosso corpo começa a funcionar rápido demais: o coração dispara; o intestino solta; a pessoa fica agitada; fala demais; gesticula muito; dorme pouco, pois se sente com muita energia, mas também muito cansada.

Tanto no hipo como no hipertireoidismo, pode ocorrer um aumento no volume da tireoide, que chama-se bócio, e que pode ser detectado, através do exame físico.

Problemas na tireoide podem aparecer em qualquer fase da vida, do recém-nascido ao idoso, em homens e em mulheres.

Diagnosticar as doenças da tireoide não é complicado e o tratamento pode salvar a vida da pessoa.

 

Nódulos da Tireoide

Um dos problemas mais frequentes da tireoide são os nódulos, que não apresentam sintomas. Estima-se que 60% da população brasileira tenha nódulos na tireoide em algum momento da vida. O que não significa que sejam malignos. Apenas 5% dos nódulos são cancerosos. O reconhecimento deste nódulo precocemente pode salvar a vida da pessoa e a palpação da tireoide é fundamental para isso. Este exame é simples, fácil de ser feito e pode mudar a história de uma pessoa. Uma vez identificado o nódulo, uma série de exames complementares confirmarão a presença ou não do câncer.

 

Adaptado de: https://www.endocrino.org.br/tireoide/

Dra. Vânia Barboza

 

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