Parte III – HORMÔNIOS DA TIREOIDE

Os principais hormônios da tireoide são T3 (Triiodotironina) e T4 (Tiroxina), que têm a função de aumentar ou acelerar o metabolismo celular. O hormônio T4 é composto pela união de aminoácidos iodados, o mesmo ocorre com o hormônio T3. A diferença entre eles está no número de átomos de iodo: cada ácido de T4, contém quatro átomos de iodo, e em T3, cada aminoácido possui apenas três átomos de iodo.

O T3 (Triiodotironina) tem uma menor secreção, porém é o mais utilizado (maior ação biológica). T4 (Tiroxina ou Tetraiodotironina) tem uma maior secreção porem é menos ativo que o T3.

As funções destes hormônios são as mesmas, mas eles diferem quanto à velocidade e intensidade de ação, sendo que o T3 é cerca de quatro vezes mais ativo que o T4. Já este é encontrado em quantidades muito maiores no sangue circulante e o período de ação também é maior.

REGULAÇÃO

Eixo hipotálamo-hipófise tireoide: o  hormônio TRH (Tireotropina) é secretado pelo hipotálamo e, através do sistema porta hipofisário, chega à adenohipófise onde se liga a um receptor de membrana, e estimula a secreção do TSH (Hormônio Tireoestimulante). Através da corrente sanguínea, o TSH chegara à glândula tireoide onde se liga a receptores de membrana e estimula a secreção do T3 e T4. Estes, por sua vez, vão até as células alvo onde se ligam a receptores no núcleo celular o que estimula o metabolismo celular.

Feedback: o T3 é a principal molécula de resposta metabólica e o seu excesso diminui a secreção do TSH, o que por sua vez diminuirá a secreção tanto de T3 quanto de T4.

Metabolismo: a maior parte do T3 provém do T4, quando este perde uma átomo de iodo.

Transporte no sangue: ao chegarem no sangue, 99% do T3 e T4 se combinam imediatamente às várias proteínas plasmáticas, sendo a globulina e a albumina as principais.

AÇÕES FISIOLÓGICAS

  • T3 e T4 entram na célula pelo processo de difusão facilitada e após isso T4 se transforma em T3.
  • Os hormônios da tireoide ativam receptores nucleares, que estão localizados no próprio DNA ou nas proximidades e, quando ocorre a ligação hormônio-receptor, é estimulada a transcrição do DNA em RNA e logo em seguida a tradução do RNA em proteínas, em tecidos específicos.
  • Os hormônios T3 e T4 aumentam o metabolismo celular e com isso estimulam o consumo de oxigênio total da célula. O metabolismo celular ou atividade metabólica basal pode ser aumentada até 100% quando estes hormônios são secretados em grande quantidade.
  • Os hormônios tireoidianos aumentam o tamanho das mitocôndrias e também o seu número, o que aumenta o número de ATP produzidos e para isto, estimulam o consumo de glicose e também de gordura.
  • Inibem o sistema nervoso simpático.
  • Estimulam o crescimento linear, o desenvolvimento e a maturação dos ossos.

Níveis baixos de T3 e T4 reduzem em até 60% o metabolismo basal. Níveis altos de T3 e T4 aumentam cerca de 60 a 100% o metabolismo basal, havendo maior produção de calor.

CONVERSÃO INSUFICIENTE DE T4 EM T3

T4 corresponde a forma inativa do hormônio tireoidiano. E precisa ser convertido em T3 para que o corpo possa utilizá-lo. Mais de 90% do hormônio produzido pela tireoide é o T4.

Isso pode ser resultado de inflamação crônica e níveis elevados de cortisol (o hormônio do estresse).

A conversão de T4 para T3 acontece nas membranas celulares e as citocinas inflamatórias interferem na integridade dessas membrana, impedindo o processo. O cortisol elevado pode resultar na supressão da conversão de T4 em T3.

Dessa forma, apesar de apresentar os sintomas de hipotireoidismo, os resultados dos exames de TSH e T4, estarão dentro da normalidade. Apenas o T3 terá resultado baixo, mas não é habitual a realização desse exame no Brasil.

SÍNDROMES

Hipertireoidismo: a glândula produz muito T3 e T4, geralmente, em resposta aos níveis altos de TSH. As manifestações clínicas mais comumente encontradas são: ansiedade, nervosismo, irritabilidade; fadiga; fraqueza muscular; bócio; emagrecimento; insônia; sudorese excessiva; palpitação, taquicardia, taquiarritmias atriais; intolerância ao calor; pele quente e sedosa; tremor; pressão arterial divergente; hiperreflexia; retração palpebral; exoftalmia; alterações menstruais; hiperfagia; hiperdefecação.

 

Hipotireoidismo: a glândula produz pouco T3 e T4, e em alguns casos chega-se a não ter nenhuma produção, pela falta de iodo. Podemos definir hipotireoidismo como um estado clínico resultante de quantidade insuficiente de hormônios circulantes da tireoide para suprir uma função orgânica normal. As manifestações clínicas do hipotireoidismo resultam da redução da atividade metabólica e depósito de glicosaminoglicanos e ácido hialurônico na região intersticial.

DIAGNÓSTICO

Percebendo os sintomas acima em conjunto, deve-se procurar um endocrinologista para fazer o diagnóstico

É necessária a dosagem dos níveis séricos de TSH, T4 e T3. É comum o achado de níveis baixos de TSH associado a níveis normais de T4 (hipertiroidismo subclínico). No caso de hipertiroidismo por aumento de secreção de TSH (hipertiroidismo central, ou hipofisário) encontram-se níveis altos de T4 associado a níveis normais ou altos de TSH.

Infelizmente, os achados laboratoriais não são suficientes para nortear o tratamento das doenças da tireoide. Algumas pessoas, apesar de apresentarem resultados normais para seus exames, apresentam muitos sintomas de alterações tireoidianas.

Drª Vânia Barboza

Fonte: <http://diretrizes.amb.org.br/ans/hipotireoidismo-diagnostico.pdf>

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